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Ler é político?

  • Foto do escritor: Bia Isaac
    Bia Isaac
  • 8 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

Um quadrado rosa com a frase "ler é político?", uma imagem de uma mulher lendo, um megafone e livros

Em 16 de dezembro de 1775, na cidade de Steventon, na Inglaterra, nasceu uma mulher que ficaria muito conhecida entre nós, meros humanos, chamada Jane Austen. Seus livros fariam tanto sucesso que teriam inúmeras adaptações cinematográficas, séries de tv, e até paródias literárias. Acredito que se voltássemos no tempo e perguntássemos para ela, se ela imaginaria que seus romances seriam envolvidos com ficções de vampiros, ela provavelmente nos diria que estaríamos loucos.


Mas quem sou eu para dizer o que Jane Austen gostaria ou não gostaria? Sendo ela uma alma que nasceu para escrever e criar histórias, compartilhando com o mundo inteiro seus pensamentos e suas críticas? Talvez ela fosse adorar os caminhos que seus textos levaram, inspirando corações artísticos a criarem universos diferentes em cima deles. Vai saber.


Mas, tá, você deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra. A questão é que, em uma época onde as mulheres não podiam fazer absolutamente nada, eram criadas para se portar bem diante da sociedade e arrumar um bom casamento, uma delas decidir escrever textos cheios de críticas a esse mesmo tema, é nada mais, nada menos, do que um ato de resistência.


Jane Austen criou protagonistas independentes e cheias de opiniões sobre tudo: “Por que eu tenho que casar?”; “Por que eu não posso administrar meu próprio dinheiro?”; “Por que eu não posso escrever um livro?”. Sim, uma mulher escrever um texto e publicá-lo era visto como impróprio. No Século XVIII era de senso comum — só dos homens, no caso — que as únicas pessoas que teriam algo de interessante a dizer ou agregar eram eles mesmos.


A autora publicou inicialmente de forma anônima. E se não bastasse isso, as histórias eram vistas como desinteressantes por terem o seu teor de romance. É claro que entre as mulheres, foi um sucesso absoluto. Digamos a verdade: só gosta quem entende, né? Se a carapuça não serviu para alguns, o que podemos fazer?


Mesmo passando mais de 100 anos desde a sua primeira publicação, seus livros ainda nos inspiram a lutar pelos nossos direitos e não deixar de questionar a sociedade perante seu posicionamento com as mulheres.


Podemos também pensar em um exemplo nacional e mais recente como de “Ainda estou aqui”, escrito por Marcelo Rubens Paiva e recentemente adaptado para o cinema. Com o sucesso de bilheteria é possível perceber o quão impactante é essa história verídica e quantas pessoas ainda repudiam os atos da ditadura. Colocar esses fatos em um papel e dividir o que aconteceu com o mundo foi de extrema importância para reconhecermos o que aconteceu no passado e não repetirmos no futuro. Além disso, novas gerações podem usufruir da leitura para aprender sobre esse momento histórico e formar suas próprias opiniões.


Até mesmo em livros infanto-juvenis como Jogos Vorazes, apresentam temas que vão contra qualquer tipo de opressão e falam sobre o inferno que é viver em uma sociedade sem democracia. Não faltam conteúdos nesse estilo, de onde uma boa lição de vida se esconde dentro de uma capa bonita e colorida.


Está tudo aí para quem quiser e tiver interesse de prestar atenção. A leitura constrói pontos de vista, opiniões e questionamentos sobre o mundo e a vida ao redor. Um livro nos dá a escolha de sentarmos e tirarmos minutos do nosso tempo para conhecermos universos diferentes. E esse poder de escolha é forte e importante não só nesta situação, mas em todos os momentos das nossas vidas.

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